quinta-feira, agosto 26, 2004

vida

VIDA

Vida? Que vida?
Zangada? Sofrida? Desiludida?
Não! É a vida vivida que depois
de encontrar outra vida
bem vivida, trás a vida.
( João Reis)

Hoje me peguei pensando na vida, minha vida, sua vida, toda vida, toda e tudo vivida!
Nasci espontâneo, escolhi a hora de vir ao mundo, mas não nasci o que sou hoje, isso foi acontecendo, fui moldando e moldado...
Quando criança fazia mil perguntas e prestava atenção em poucas respostas, afinal, tinha um mundo novo pela frente, e para que me preocupar com coisas de adultos. Os adultos têm limites, mas crianças não! Elas perguntam através de sentimentos, de curiosidades, não pela razão da resposta.
Saint-Exupéry disse em O pequeno príncipe: “As pessoas grandes adoram os números. Quando a gente lhes fala de um novo amigo, elas jamais se informam do essencial. Não perguntam nunca”.Qual é o som da sua voz? Quais seus brinquedos preferidos? Será que coleciona borboletas?”Mas perguntam:” Qual a sua idade? Quantos irmãos têm ele? Quanto pesa? Quanto ganha o seu pai? Somente então é que elas julgam conhece-lo”. Portanto não fazia questão de conhecer nada da vida de meus amigos, queria brincar. *Viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar a beleza de ser um eterno aprendiz.
Ëramos o vento, as nuvens, podíamos voar como nossos heróis ou respirar debaixo d’água lutávamos contra dragões, viajávamos galáxias...
Um dia chegaram e disseram: “É hora de crescer, de esquecer a espontaneidade”. Nos colocaram para andar em fila para a sala de aula, tínhamos que fazer o que era a moral e a ética de nossos pais e professores.
Viramos adolescentes escutávamos musicas barulhentas para nos rebelar, nos aventuravam em passeios, festas, mas, tudo isso fazia parte do crescimento era o ser adulto para a sociedade. Começamos então a nos interessar por números, física, química, história. O amiguinho do guarda roupa já havia ido embora.
Chega enfim a profissionalização, grande orgulho para os pais, orgulho para nós. Aprendemos que não podemos abandonar nossa armadura de batalha jamais, temos que lutar a todo o tempo. As perguntas e as respostas agora são racionalizadas, ignoramos as insistentes perguntas sem sentido das crianças, evitamos a aproximação dos “bobos” (adultos que mantêm seu lado espontâneo). Afinal, somos uma titulação, deixar de lado o título (símbolo de orgulho), é perder-se. Não podemos fazer idiotices de adolescentes, não podemos demonstrar espontaneidade de criança. Temos que desenvolver projetos, criar cidades, perpetuar a espécie, pensar nas causas humanitárias...
Então como ficamos?

* Gonzaguinha

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