segunda-feira, janeiro 03, 2005

fim de ano

"FIM DE ANO"(Arthur da Távola)

Fim de ano. Saudade
Fim de ano. Certeza
Fim de ano. Ilusão
Fim de ano. Compromisso
Fim de Ano. Intenções
Fim de ano. Vontade

Fim de ano. Descoberta da realidade
Fim de ano. Sonhos
Fim de ano. Pés no chão
Fim de ano. Propósitos
Fim de ano. Culpas

Fim de ano. Tarefas cumpridas.
Cumpridas?
Fim de ano. Olhos bem abertos.
Espanto.

Fim de ano. O não vivido.
Fim de Ano. Os momentos.
Os de paixão.
De decisão, perplexidade, dúvidas, perda.
Os de amor: tantos, intensos, vividos.

Fim de ano. Aquela traição.
Fim de ano. Os erros.
Fim de ano. Um livro.
Fim de ano. A pressa destruidora e inútil.

Fim de ano. A volta ao que passou.
O tempo fez passar.

Fim de ano. A gente querendo reter aquela cena mágica, colorida.
Segurá-la nas mãos para sempre.

Fim de ano. Uma planta.
Fim de ano. Consertar o que não ficou legal.
Fim de ano. Dizer o que não conseguimos antes.
Terminar o que ficou em branco, inútil.

Fim de ano. As injustiças.
Fim de ano. Mais um, evaporando a vida.
Fim de ano. A certeza do provisório.

Fim de ano. Mais um ( menos) e a gente seguindo a paus e pedras, suor e sangue, aqui e ali, às vezes entre o amargo e o doce, o sólido e o líquido, brinquedo ingênuo nas artes e manhas da vida.

Fim de ano. Tudo se modifica, tudo flui.
Esta é a única certeza.

As pessoas se transformam por dentro, mudam por fora.
Mas continuam iguais.
Algumas partem, outras não voltam mais.

Os espantos e medos são outros .
Piores talvez.
Mais comprometidos e adultos.
Medo sem graça.

Fim de ano. Tudo vai e fica.
Tudo recomeça a cada vez diferente.
O mundo muda, mas fica também igual.
A gente muda também.
Mas fica igual na essência, no invisível.
Igual no que não pode ( ou não deixaram ) mudar...

Fim de ano. Anel em volta do coração...
Fim de ano. Começo.
De tudo de novo.

Ingenuidades ainda.
Esperanças.
Sonhos.
Desejos.
Bons propósitos.
Outras descobertas.
Buscas, desta vez não mais triviais e apressadas.
Será ?

Fim de ano. Começo do novo.
Novas cenas virão.
De vida, de amor.
Talvez seja aprender a curtir cada nova cena que chega.
Sem saudades amargas do que já se foi.
Sem mágoa preconcebida do que já estar por vir.

Acertos ?
Erros ?
Bom ?
Mau ?
Não importa.
Sempre haverá começos e fins cochichando no mais íntimo da gente.

O tempo e a natureza não sabem de calendários.
Tudo é e será exatamente o mesmo.
Inclusive a esperança.

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